terça-feira, 16 de maio de 2017

Enguiço

hoje é dia de pé na pedra
mas água não tropeça
passa por um canteiro de flores
e chora
cai de uma árvore
e chove
escorre pela calçada e morre
sob o sol
hoje é dia de pé na pedra
ouve a onomatopeia da matéria
masca uma folha de coca
e arde
na boca sem língua do peixe
que morre
pelos olhos enviando sinais

hoje é dia de pé na treva
e eu não desço devagar

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Nada


Um ventinho assobia na pele.
O azul é a tela que nos protege.
O passo é um pássaro – levemente sem asas.
O mundo é um suspiro sem nome.
Amargo era um barulho de ontem.
A seda da vida farfalha.
Amar é pra hoje!

sexta-feira, 10 de março de 2017

Sandáraca

é noite na língua das lâmpadas

é balada nos ouvidos do limbo

é cerveja o líquido de acender sorrisos



é segredo essa música dos sentidos?



o corpo se move na escrita impossível

mãos que contam todas as fases do vestido

olhos acidentais que se decifram  atrás do vidro



é caso de ferrugens compatíveis?



o secreto senão da palavra foge com a fumaça

o cigarro entre os dedos semeia gestos – troca de bocas

corações dançam em volta de um relógio sem pulso



a noite se aninha nos lábios em beijos de sábado

Sandáraca

Sandáraca

ainda um silêncio que contraria os sentidos

mas a grafia das mãos já se vai pela nuca

e nas línguas já se misturam tabaco e açúcar



que solo suave a lua do seu rosto 

que emaranhado de versos atrás desse silêncio vazado

que dúvidas líricas sem tempestades

que carícias sem alarde



o que há entre a camisa e o coração?



um poema novo acaricia a pele

o beijo é o remédio do agora

o coração pulsa no escuro

a madrugada é um vestido veloz...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Filme mudo



afasta o instante dos olhos e da louça perdida
a vida de lábios lívidos fala contigo atrás do vidro

atrás do vidro, ela te espia
mas não ultrapassa a tua capa dura e fria
veja: seus longos braços sem tradução

a noite de luvas nos separa
projeto um coração para o meu piano
                                               e termino nesse estábulo

a notícia da vida se resume em sono e fome
e o azul dos mortos soma desertos


15062015 & 17082016
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