sexta-feira, 10 de março de 2017

Sandáraca

é noite na língua das lâmpadas

é balada nos ouvidos do limbo

é cerveja o líquido de acender sorrisos



é segredo essa música dos sentidos?



o corpo se move na escrita impossível

mãos que contam todas as fases do vestido

olhos acidentais que se decifram  atrás do vidro



é caso de ferrugens compatíveis?



o secreto senão da palavra foge com a fumaça

o cigarro entre os dedos semeia gestos – troca de bocas

corações dançam em volta de um relógio sem pulso



a noite se aninha nos lábios em beijos de sábado

Sandáraca

Sandáraca

ainda um silêncio que contraria os sentidos

mas a grafia das mãos já se vai pela nuca

e nas línguas já se misturam tabaco e açúcar



que solo suave a lua do seu rosto 

que emaranhado de versos atrás desse silêncio vazado

que dúvidas líricas sem tempestades

que carícias sem alarde



o que há entre a camisa e o coração?



um poema novo acaricia a pele

o beijo é o remédio do agora

o coração pulsa no escuro

a madrugada é um vestido veloz...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Filme mudo



afasta o instante dos olhos e da louça perdida
a vida de lábios lívidos fala contigo atrás do vidro

atrás do vidro, ela te espia
mas não ultrapassa a tua capa dura e fria
veja: seus longos braços sem tradução

a noite de luvas nos separa
projeto um coração para o meu piano
                                               e termino nesse estábulo

a notícia da vida se resume em sono e fome
e o azul dos mortos soma desertos


15062015 & 17082016

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Confidências



ruídos se desenham roçando minha pele
teu alfabeto é uma correnteza de novas emoções

procuro adjetivos para essa outra vida
perscruto teus olhos perdidos atrás da mistura de silícios
bebo a tua voz rarefeita em taças de cristal

no segredo das coisas estudo:
os lábios se distendem
os cantos da boca se elevam ligeiramente
quantas camisas sérias abraçam teu corpo!

lá fora, o mar
바다, você diria
adjetivos dessa vida nova me encontram

terça-feira, 24 de maio de 2016

Continuação da noite sem você



num curto espaço

nos encontramos

ao longo do vento

nos adivinhamos

em sílabas ainda

o mundo soletrado

com calma e cuidado



mas a haste do tempo entorta

e nos percebemos frágeis

seres de mãos duras demais

o mundo gira torto

em torno do meu pescoço

no meu corpo, no seu corpo: arestas

e agora esse silêncio que não presta


19122011 & 02022012
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